No contexto da crescente polêmica em torno das apostas esportivas no Brasil, a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, decidiu se manifestar sobre o tema. Em uma entrevista concedida nesta quarta-feira, dia 2 de agosto, ela defendeu os beneficiários do Bolsa Família contra um suposto preconceito que tem surgido em relação ao uso do programa social para realizar apostas.
Durante sua participação no programa “Bom dia, ministra”, transmitido pelo Canal Gov, Evaristo afirmou: “Eu fico pensando, acho que não se trata tanto assim do Bolsa Família. A gente precisa compreender que o vício em jogo não é uma coisa que está ligada à classe social”. Essa declaração reflete uma preocupação com a estigmatização dos usuários do programa, que muitas vezes são alvo de críticas por suas escolhas financeiras.
A ministra continuou sua argumentação, ressaltando que “o vício em jogo está ligado ao conjunto da sociedade. A gente sabe de pessoas que perdem fortunas. Não é falta somente de educação, de conhecimento, e não está ligado à classe social que você está”. Essa afirmação busca desmistificar a ideia de que o problema do vício em jogos é exclusivo de uma determinada camada social, enfatizando que ele pode afetar qualquer pessoa, independentemente de sua condição econômica.
“Vamos pensar que não tem ninguém livre de ter um vício. Assim como ninguém está livre de ter um vício em álcool e outras drogas, ninguém está livre do vício em jogo. Então, é por isso que a gente precisa tratar [o tema] com o devido cuidado”, completou Evaristo, sugerindo que a abordagem do governo deve ser mais compreensiva e menos punitiva.
Pesquisa do Banco Central
Recentemente, o Banco Central (BC) divulgou uma pesquisa alarmante que revelou que os beneficiários do Bolsa Família gastaram mais de R$ 3 bilhões em apostas esportivas apenas no mês de agosto. Este dado caiu como uma bomba no Palácio do Planalto, gerando uma onda de discussões sobre o uso do benefício social.
Em resposta a essa revelação, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria exigido que seus ministros tomassem medidas imediatas para abordar a questão, buscando impedir que os usuários do Bolsa Família utilizassem o dinheiro do benefício para apostas. Uma reunião de emergência está sendo realizada no Palácio do Planalto, onde Lula se encontra com os ministros da Fazenda, Fernando Haddad, da Saúde, Nísia Trindade, dos Esportes, André Fufuca, da Casa Civil, Rui Costa, e do Desenvolvimento Social, Wellington Dias.
Dentro do governo federal, há uma corrente que defende a punição dos beneficiários que utilizam o Bolsa Família para apostas esportivas. No entanto, informações de bastidores indicam que essa abordagem pode não ser a mais viável, e outras soluções estão sendo consideradas.
O futuro do Bolsa Família
Atualmente, diversas propostas estão sendo discutidas no âmbito do governo federal. Uma das ideias em pauta é a proibição do uso do cartão do Bolsa Família para a realização de apostas esportivas. Essa medida visa proteger os beneficiários de decisões financeiras prejudiciais.
Entretanto, essa não é a única proposta em consideração. Também está sendo avaliada a possibilidade de restringir o uso do cartão de débito para apostas esportivas, não apenas para os usuários do Bolsa Família, mas para todos os cidadãos brasileiros. Essa abordagem mais ampla poderia ajudar a mitigar os riscos associados ao vício em jogos, promovendo uma maior responsabilidade financeira entre a população.